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20 e Poucos Anos – Linda Papadopoulos | Resenha

Eu comprei 20 e Poucos Anos numa ida à Livraria Cultura da Paulista há alguns anos atrás, quando tinha acabado entrar na casa dos 20. Hoje estou com 24 e, ao longo desse tempo, ele ficou paradinho na minha estante me esperando. Posso dizer que nunca houve um momento melhor para eu fazer essa leitura do que agora e, ao longo dessa resenha, vou te contar o porquê. 😉

O livro é escrito pela Dra. Linda Papadopoulos, uma psicóloga e pesquisadora super respeitada internacionalmente. Logo no início a escrita dela me cativou, e eu grifaria a introdução praticamente inteira (depois do Kindle eu adquiri esse hábito de grifar os livros). É fácil se identificar com as situações que ela descreve, e a sensação é quase como se alguém estivesse te dando um abraço e dizendo “eu te entendo”.

Após a introdução, logo nas primeiras páginas, a Dra. Linda dá uma breve explicação sobre o que é o feminismo; suas origens; e o que cada onda trouxe de benefícios para as mulheres. Confesso que fiquei surpresa e, de início, um pouco entediada com essas páginas, pois não era o que eu estava esperando. Mas a explicação é realmente bem breve e tem um propósito: o livro é escrito para mulheres, e todas as abordagens são feitas sob um viés feminista. Tudo que está aqui é baseado no que eu senti com a leitura e no que acho que pode ser relevante para outras mulheres, mas você é livre para tirar as suas próprias conclusões sobre as colocações da autora. 🙂

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA

O primeiro capítulo é dedicado à conversar sobre como nos cobramos perfeição. Foi nele que eu tive o primeiro momento no estilo ‘no fundo eu já sabia disso, mas precisava que alguém me dissesse’. Aconteceu na parte em que a Dra. Linda discorre sobre como o feminismo evoluiu até chegar ao ponto onde todos os estímulos nos dizem que “se é verdade que podemos fazer qualquer coisa, então talvez devêssemos fazer tudo”. Esse pode parecer um conceito louco para algumas pessoas – principalmente para os homens -, mas é um fato que nós às vezes colocamos expectativas irreais em cima de nós mesmas, baseadas no que achamos que devemos ser para os outros. É um consolo ouvir que não precisamos fazer isso, e eu gostei dela ter colocado o feminismo como sendo sobre “lutar por aquilo que você quer, e não pelo que pensa que deveria ter”.

A Dra. Linda fala sobre como, no momento em que vivemos atualmente, somos levadas a comparar nossa versão “normal” com a melhor versão dos outros. Nos posicionamos negativamente em relação às outras pessoas, esquecendo que existe um lado negativo em toda vida aparentemente perfeita. Somos bombardeadas com informações sobre pessoas que equilibram carreira, estudos, casa, família, filhos, viajam 3 vezes por ano para o exterior e não aparentam pegar nem um resfriado entre essas coisas. E no meio desses estímulos, nos sentimos sobrecarregadas com a sensação de que deveríamos acumular mais atividades e realizá-las com perfeição. Se deixamos de fazer alguma coisa, estamos ficando para trás, entregando menos do que esperam de nós.

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Eu não sei você, mas isso aqui me representa
TIMING PERFEITO

Quando digo que essa leitura veio no momento certo na minha vida, esse é o principal motivo. Tudo isso pode parecer um grande mimimi para algumas pessoas, mas a verdade é que muitas mulheres vão se identificar, não só com esse, mas com vários temas abordados no livro. Recentemente eu passei por uma fase meio complicada de lidar, onde eu achava difícil não passar o tempo quase todo comparando a minha vida real com a vida ideal das pessoas ao meu redor. Saber que um bocado de gente está passando pela mesma situação e que você não é a única rolando o feed do Instagram até de madrugada pode parecer bobo, mas é um alívio. Foi o princípio do meu detox dessa fase cruel e posso dizer que hoje, tendo mais clareza sobre esse assunto, eu me sinto bem melhor.

Os próximos capítulos do livro seguem com os temas: pressão que sofremos para estar sempre bonitas aos olhos dos outros; vida online e vida offline; equilíbrio entre necessidade de agradar e saber dizer não; supersexualização e objetificação da mulher; bullying; independência; e medo de envelhecer. Ao final de cada capítulo, a Dra. Linda sugere passos práticos que a gente pode aplicar diariamente para lidar com todas essas questões, assim como faz no podcast dela (que eu amo e recomendo fortemente), o The Psychology Behind. Tanto a leitura como o podcast fluem muito facilmente, quase como se você estivesse em sessões de terapia com a sua própria psicóloga, ou conversando com uma amiga mais experiente. 

O livro me trouxe bastante clareza sobre algumas questões que no fundo eu sempre tive, mas que até então nunca tinha parado para realmente pensar sobre. Eu nunca tinha lido, por exemplo, sobre a Teoria da Comparação Social. Segundo essa teoria, avaliamos a nós mesmos em relação às outras pessoas simplesmente porque nossas atitudes e pensamentos não podem ser avaliados com critérios objetivos, e, sendo assim, nos comparar com os outros parece uma boa opção de medida. Eu também não sabia que existe uma denominação para o nosso medo de ficar “por fora”, o FOMO – fear of missing out. O FOMO é caracterizado pela angústia de achar que todo mundo está por aí aproveitando e extraindo o máximo das suas vidas, enquanto você está de pijama, tomando sorvete e vendo tv.

O EMPURRÃOZINHO QUE EU PRECISAVA

Mas, para além das justificativas e pesquisas científicas, o que mais me fez refletir sobre tudo foram as colocações da Dra. Linda sobre certas coisas que deixamos passar totalmente despercebidas na maioria das vezes.

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É mais assustador ignorar o que as pessoas pensam ou como você se sente? Essa pergunta simples me motivou a fazer muita coisa que eu vinha adiando, e acho que só ela já faria o livro todo ter valido a pena para mim. Outras lições que eu tirei dele foram: pensar não só no que eu quero, mas por que eu quero; buscar pautar a minha personalidade no que eu gosto e no que sou, e não no que não gosto e não sou; e apoiar a minha visão de valor sobre mim mesma em algo mais que beleza física. Ou seja, trabalhar para que a construção da minha personalidade se baseie em valores sólidos e que tenham real importância para mim – o que vai de encontro com o que aprendi com A Sutil Arte de Ligar o F*da-se.

Tem tanta coisa que eu queria compartilhar aqui! A maior parte do livro eu lia e pensava ‘é assim que eu me sinto’, ‘como não vi isso antes?’. É um alívio saber que as pessoas não dão conta de tudo e que você não é a única a se sentir como se sente. Minha opinião é de que há que se olhar para ele com senso crítico e tirar suas próprias conclusões de tudo que é exposto, mas que ele vai sim, no mínimo, te fazer entender que não está sozinha e que as outras mulheres de 20 e poucos anos passam pelas mesmas questões que você.

Por último, uma coisa que eu acho legal comentar é que, ao invés de “20 Something”, como eu pensei que fosse, o título original do livro é Whose Life It Is Anyway?. Apesar de os dois fazerem bastante sentido, o original me parece mais legal e mais adequado ao conteúdo, de uma maneira geral.

Eu definitivamente acho que vale a leitura, e não só para mulheres na casa dos 20. Os temas abordados se encaixam facilmente na vida de qualquer mulher; e, mais do que outro volume de autoajuda na sua estante, esse livro é como um abraço que você recebe no fim de um dia difícil. Se você se interessar, aqui está o link dele na Amazon. E, se você leu, me conta o que achou! Nos encontramos aqui na semana que vem! 🙂

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