a arte da procrastinação_karina matos
Livros,  Produtividade

Será que você domina a arte da procrastinação?

Você já se pegou fazendo alguma coisa para não ter que lidar com uma tarefa mais importante, da qual estava fugindo? Mas alguma coisa produtiva de verdade, tipo lavar roupa ou adiantar algum projeto no trabalho? Eu já, e não foi pouco. Mas foi só quando li A Arte de Procrastinar, do John Perry, que eu entendi que talvez adiar as coisas que preciso fazer não seja um problema tão grande. De repente eu até poderia usar a procrastinação a meu favor…

Conheci A Arte de Procrastinar há um tempão atrás, lá pela época do lançamento, e, apesar de me interessar pelo livro, imediatamente o coloquei naquela prateleira que todo leitor tem: a de volumes que pretendemos ler, e nunca lemos. 😂 Esse ano, contrariando meus velhos instintos de procrastinadora, decidi começar essa leitura, e vou te contar o que aprendi com ela.

O LIVRO

Em primeiro lugar, eu não sei exatamente o que estava esperando, mas tive uma surpresa boa. O livro é curto, a escrita é divertida, e em poucos capítulos você sai se sentindo mais produtivo por “ressignificar” algo que até então parecia muito errado: o hábito de realizar tarefas mais banais enquanto deixa as prioritárias de lado.

Em 1990, o John Perry, filósofo e professor da Universidade de Stanford, publicou um ensaio com o nome de Procrastinação Estruturada, que mais tarde se tornaria um site, e que ainda mais tarde viria a ser o primeiro capítulo do seu livro. Basicamente, como o próprio John descreve, ele “redescobriu” uma estratégia que converte os procrastinadores – como ele – em pessoas úteis e eficientes, admiradas pelo bom uso que fazem do seu tempo.

Como John explica, a ideia central é que a procrastinação não significa que o procrastinador não fará absolutamente nada. Na realidade, segundo ele, os procrastinadores raramente não fazem nada: eles apenas se ocupam de tarefas marginalmente relevantes, para evitar ter que fazer coisas mais importantes. O procrastinador pode se sentir motivado a realizar tarefas úteis e difíceis, desde que essa seja uma maneira de adiar a realização de outras tarefas ainda mais úteis e difíceis. E esse é o segredo. 😂

O próprio ensaio – que pode ser lido aqui, em inglês – é um exemplo da procrastinação estruturada. John começa dizendo que queria escrevê-lo havia meses, e que finalmente havia começado não por ter mais tempo livre, mas porque tinha uma série de outras coisas mais importantes para fazer – e escrever era uma forma de evitá-las. Bom para nós leitores!

A LIÇÃO

Com o ensaio – e melhor ainda com o livro inteiro, se você optar por ler -, surge a ideia de que nem todo procrastinador precisa ser um preguiçoso que fica sentado no sofá se sentindo culpado. John diz algo que parece óbvio, mas que nem sempre observamos: em geral, o procrastinador comum tende a minimizar seus compromissos, supondo que, com mais tempo livre, vai produzir mais. Só que isso vai na contra-mão da natureza do procrastinador e acaba com a sua maior fonte de motivação. (Ou você nunca reparou que, quanto mais tempo livre tem, menos coisas parece fazer?)

“Todo mundo consegue fazer qualquer trabalho, desde que não seja o trabalho que se espera que esteja fazendo num dado momento.” — Robert Benchley, 1949

Quando se tem poucas tarefas na lista, elas se tornam, por consequência, as mais importantes, e a única forma de evitá-las é não fazendo nada. Esse é o erro do procrastinador… “inútil”, digamos assim. O “procrastinador estruturado” aprende a criar uma certa hierarquia de tarefas, de forma que o receio de realizar uma, o impulsione a realizar outra. Tipo lavar a louça para não ter que estudar para a prova, por exemplo. Ninguém pode dizer que lavar louça não é algo produtivo. 🌝

Tá certo que essa tal arte da procrastinação é uma espécie de autoengano – o próprio autor sabe disso. Não resolve o problema (e na verdade ele nem se propõe a fazê-lo). Mas é um consolo saber que, ao adiar fazer as coisas mais importantes na sua lista de tarefas, você pode não necessariamente estar sendo apenas um peso morto consumido pela culpa, mas sim alguém que está de fato fazendo coisas. Coisas que também precisam ser feitas.

MEU CONSELHO

No fim, todos somos procrastinadores em algum nível. Todos evitamos fazer aquilo que nos faz sentir desconfortáveis, adiamos tarefas muito trabalhosas ou cansativas… E é um desafio diário lidar com isso de uma maneira que não afete a nossa autoestima e a forma como enxergamos a nós mesmos.

Sei que a procrastinação pode ser um problema grande pra muita gente, e a minha intenção não é negligenciar esse problema. Pelo contrário: eu entendo e estudo sobre produtividade justamente para ajudar a evitá-lo. Mas também considero que enxergar valor naquilo que fazemos, mais do que só ficar se cobrando, muitas vezes é o que falta para fazermos ainda mais.

Faça sua lista de prioridades e – de vez em quando – não se sinta mal por começar do fim. Quando se sentir improdutivo, sente com uma folha de papel ou pegue o seu telefone e anote as pequenas coisas que você já fez naquele dia. Apenas não deixe de se mexer! Aos poucos você vai se ver como alguém mais motivado e mais realizador! 🙂

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