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Casa,  Dicas,  Organização

Minha experiência com um desafio minimalista em casa

Já faz um tempo que comecei a pesquisar e tentar implementar o minimalismo na minha vida, mas foi só quando eu saí da casa da minha mãe que comecei a filosofar menos e a agir mais. Nosso apartamento é muito pequeno e esse fato contribuiu para que eu ganhasse mais consciência sobre cada objeto que mantenho comigo – além de meio que me obrigar a me livrar de muita coisa que eu tinha, simplesmente por falta de espaço pra guardar.

MEU HISTÓRICO

Sempre fui meio acumuladora: quando criança eu me lembro de guardar todo e qualquer tipo de papel solto, cartões, brinquedos antigos… E quando digo ‘todo o tipo’ eu quero dizer que guardava até aqueles flyers que dão pra gente na rua. Coisas que eu achava que “um dia” seriam úteis e que, obviamente, jamais vieram a ser. Da adolescência para os meus 20 e poucos anos eu passei a acumular algumas roupas e sapatos, e a colecionar livros e revistas. Mas também foi aí que tive meu primeiro contato com o minimalismo: virei a pessoa que ama destralhar, e comecei a ajudar minha mãe a se livrar de algumas das suas próprias bagunças – coisa que ela acha difícil de fazer até hoje.

Quando saí da casa dela, não tive mais escolha: eu simplesmente não tinha espaço físico pra guardar tudo o que possuía, e tive que começar a abrir mão de algumas coisas. O exemplo mais clássico disso é que lá eu tinha um guarda-roupa de 5 portas e 9 gavetas, e ainda sentia que “não tinha espaço”. Achava ruim quando minha mãe queria botar os edredons da gente lá dentro (desculpa mãe! 😁); e hoje to rebolando pra acomodar minhas roupas em uma arara e 3 gavetas – todo o espaço que tenho disponível aqui no apartamento.

Coincidentemente (ou não!), o que me trouxe ao post de hoje foi justamente a busca pelo minimalismo. Meses atrás, eu resolvi me desfazer da minha coleção de revistas, e passei a folheá-las em busca de matérias que me interessassem, pra reler antes de doá-las. Achei numa Cosmo uma matéria sobre o desafio minimalista proposto pela dupla do The Minimalists, e resolvi implementar aqui em casa.

O JOGO

O desafio, originalmente chamado de 30-Day Minimalism Game, consiste em se desfazer de objetos que te pertecem, ao longo de 30 dias, na seguinte proporção:

  • dia 01: um objeto
  • dia 02: dois objetos
  • dia 03: três objetos…
  • dia 10: dez objetos…
  • dia 21: vinte e um objetos…
  • dia 30: trinta objetos

Ele pode ser feito sozinho ou em dupla – quem conseguir chegar mais longe, “ganha”. Se você cumprir direitinho, ao final do jogo são mais de 400 objetos inúteis retirados da sua casa – e um peso enorme vai embora junto com eles. Eu optei por fazer sozinha, e vou contar aqui como me saí. 🙂

MINHA EXPERIÊNCIA

Desde que eu encontrei a matéria contando sobre o desafio, tentei implementá-lo no meu dia a dia, sem sucesso, algumas vezes. Eu seguia o ritmo nos primeiros dias e depois acabava desistindo, não sei ao certo por qual motivo. Desconfio que a minha cobrança por cumprir direitinho o script (um objeto no primeiro dia, dois no segundo) tenha contribuído para as minhas desistências. Dessa vez fiz diferente e consegui chegar mais longe!

Não que tenha sido fácil: os primeiros dias passam que você nem vê, mas seguir adiante tendo que se livrar de 12, 15, 20 coisas por vez tem seu peso. Eu sinto que tive um pouco menos de dificuldade pelo fato de ter muita coisa sobrando e por estar trabalhando meu psicológico há um tempo pra me desapegar delas, mas procurar pelos itens em casa pode dar um pouco de trabalho pra algumas pessoas.

A solução que eu encontrei pra isso foi fazer o desafio no meu ritmo. Nos dois primeiros dias, eu separei vários itens pra doar. Doei, e fiquei com crédito pra outros dias. Anotei no meu planner até quando teria que destralhar e a quantidade de objetos de cada dia, e fui cumprindo dentro das minhas possibilidades. Em alguns dias trabalhava nisso, em outros não… Não cheguei a completar os 30 dias inteiros e perdi a conta de quantos itens me livrei ao todo. 😂 Porém, anotei direitinho o que saiu daqui de casa (e foi bastante coisa):

O BALANÇO

Aqui está uma listinha com alguns itens dos quais eu me libertei:

  • Revistas
  • Livros de ficção e não ficção
  • Livros e apostilas escolares
  • Marca-páginas (eu tinha uma grande quantidade deles, alguns repetidos)
  • Figurinhas e álbuns
  • Cadernos antigos
  • Pastas
  • Divisórias de planners e fichários
  • Sticker books vazios (eu guardava os caderninhos depois de usar todos os adesivos)
  • Canetas com pouca tinta (que já tinham sido substituídas e nunca mais seriam usadas)
  • Caixas coloridas (da Glambox e outras)
  • Bichos de pelúcia
  • Itens de decoração que eu passei mais de um ano sem usar: uma caixa de metal da Imaginarium; uma caixa de “correio” que nunca pendurei na parede
  • Utensílios de cozinha
  • Itens de cama e banho
  • Roupas: blusas, casacos, camisetas, calças…
  • Sapatos
  • Lingeries: sutiãs, calcinhas e camisolas (falo mais disso abaixo)
  • Esmaltes secos
  • Maquiagens e cosméticos pra cabelo e pele
  • Eletrônicos (tablet, teclados e mouses pra laptop)
  • CDs e DVDs antigos
  • Cases de celular

Confesso que algumas coisas doeram um pouquinho mais que outras: os itens de papelaria, as revistas, alguns livros, algumas lingeries… Mas, olhando em retrospecto, até hoje nada do que doei ou vendi me fez falta, e acho que isso prova o quanto eu não precisava de nada daquilo. Agora, o que sempre foi, e segue sendo, o meu maior problema de adaptação aqui em casa são algumas peças de roupa:

SOBRE AS LINGERIES

Uma das coisas que mais me assustou quando Felipe e eu nos mudamos pro nosso apartamento foi a quantidade absurda de lingerie que eu tinha. Eu tenho uma verdadeira paixão por lingerie e, como usava um guarda-roupa inteiro sozinha, acho que nunca tive muita noção do tanto de espaço que as peças acumulavam. Chegando aqui, tive que me virar para fazer caber tudo na única gaveta que eu tinha disponível no meu novo quarto.

Levou literalmente um ano para eu conseguir fazer minhas lingeries caberem nessa gaveta. Você deve estar percebendo que não foi um processo muito fácil. Eu tinha bastante apego por quase todas as peças, apesar de não usar nem metade (a gente sempre tem nossas calcinhas preferidas, né?).

O que eu fiz nesse primeiro ano de mudança foi, aos poucos, ir tomando coragem para me desfazer de algumas peças, uma a uma. Comecei pelos sutiãs velhos – aqueles que tinham renda fazendo bolinha, que já estavam sem o ferrinho do bojo… Passei para as calcinhas mais velhinhas, porém confortáveis <3 (aquelas que toda mulher tem). E depois parti para aquelas que me apertavam – que por puro consumismo eu comprei e acabei não usando, já que elas me deixavam parecendo um colchão amarrado.

Algumas coisas foram embora sem dó. Mas, por outro lado, não foi fácil admitir que minhas lingeries favoritas não me serviam mais, seja pelo tamanho delas, seja por estarem velhas demais… Admito que acabei guardando algumas só por não estar preparada pra deixá-las ir embora! E elas seguem aqui na gaveta, junto com algumas peças novas que comprei. 🌝

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Esse é meu guarda-roupa inteiro: metade Felipe, metade Karina

Isso significa que eu – ainda – não dei um jeito 100% eficaz de acomodar todas as minhas roupas e lingeries no espaço que tenho disponível, mas vou fazer um post dedicado à esse assunto em específico mais pra frente.

UM POUQUINHO MAIS

Se você se interessar mais por minimalismo e estiver à procura de mais conteúdo sobre o tema, a dupla do The Minimalists está mais do que recomendada pra ser seu ponto de partida. Eles tem um site, um podcast, um canal no YouTube e um documentário no Netflix (que eu ainda não terminei de assistir).

Além dos dois, eu adoro e recomendo o canal do Matt D’Avella, diretor do documentário e também minimalista. Tenho aprendido algumas lições desde que conheci o canal dele, e além de tudo Matt é cineasta: cada vídeo é uma mini obra de arte.

Em resumo, acredito que esse jogo seja um ótimo ponto de partida pra pessoas como eu, iniciantes na vida minimalista, mas que também possa ser uma boa para os já adeptos da filosofia. Me comprometer com ele me obrigou a finalmente me desfazer de itens que eu vinha adiando pra despachar; e a sair vasculhando minha casa atrás de coisas que talvez eu nunca fosse perceber, e que estavam ali só ocupando espaço e consumindo energia sem dar nada em troca. A maioria dessas coisas eu doei; algumas joguei fora; e a minoria foi vendida. (Se você for jogar, ainda pode fazer uma graninha!)

Apesar da pontadinha no peito inicial, como eu disse, nada me fez falta; e meu prazer por me desfazer de tralhas só aumentou. Continuo doando uma coisinha ou outra, sempre que identifico o que está sobrando e que encontro um novo dono pra elas. Mais pra frente como mais sobre como está sendo esse processo de implementação do minimalismo na minha vida! Por enquanto, estou aceitando dicas aqui nos comentários e lá no meu Instagram!

PS.: As fotos desse post foram tiradas há bastante tempo, e estão aqui só pra ilustrar os itens e um pouco do espaço que tenho em casa. Se quiserem ver fotos atualizadas dos ambientes, me avisem! 🛋

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