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dia 24h karina matos
Produtividade

O que fazer quando seu dia parece não durar o suficiente

Esses dias eu perguntei nos meus stories quais eram as maiores dificuldades das pessoas que me acompanham por lá em relação à organização pessoal e produtividade. Recebi respostas diversas, mas a que mais me chamou atenção foi a de uma amiga dos tempos de escola. Hoje a Rafa é dentista, estudante de pós-graduação, está casada, e concilia tudo isso com um empreendimento. (E eu ainda me surpreendo sobre como a vida da gente mudou de 10 anos para cá! 😁) O que ela me disse foi isso aqui:


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Batemos um papo rápido e a Rafa me contou um pouco sobre as coisas que tem feito no trabalho, nos estudos, na vida pessoal… Ela me disse que, apesar de em alguns dias achar que vai enlouquecer, atualmente não tem como abrir mão de nada porque tudo tem uma razão de ser. Porém, a rotina está puxada e ela não sabe até quando vai aguentar nesse ritmo: trabalhando 12h por dia em outra cidade; fazendo a pós; treinando; cuidado da casa e da empresa que ela gerencia com os pais…

Isso, por alguns motivos, me fez pensar. Como lidar com a nossa rotina de um jeito saudável, quando as 24h do dia parecem não ser o suficiente para fazer tudo? Conversei com outras pessoas que acompanham o blog e as minhas redes sociais, e vi que esse parece ser um problema muito recorrente. Então, com base no que eu entendo sobre produtividade, coloquei algumas coisas no papel e vou compartilhar nesse post o que eu faria, caso o meu dia a dia estivesse nessa loucura, e que a Rafa – e você e qualquer pessoa – também pode fazer, para encontrar mais equilíbrio. 💛

A CULTURA DA OCUPAÇÃO…

Já faz uns bons anos que comecei a reparar num fenômeno entre as pessoas ao meu redor, que depois eu descobri que tem nome: culture of busyness, algo como “cultura da ocupação”. Muito antes de ouvir essas palavrinhas, eu já tinha começado a perceber que algumas pessoas que conviviam comigo não apenas viviam falando sobre a sua falta de tempo livre, mas também meio que se vangloriavam dessa falta de tempo, como se fosse algo positivo. Para elas, o fato de estarem sempre ocupadas era uma espécie de símbolo de status.

Você já reparou que sempre que a gente pergunta como está a vida das pessoas a maioria responde algo como “está tão corrido”, “ah, uma loucura”, “não tenho tempo nem de me coçar”? Eu não me lembro da última vez em que ouvi alguém se vangloriar de ter tempo livre para fazer o que gosta e para descansar.

É quase como se ter uma vida tranquila fizesse a gente parecer “menos importante”, num mundo que supervaloriza os workaholics. E com isso cria-se toda uma sensação que pressiona a gente a acumular cada vez mais compromissos para se sentir útil.

… PODE PEGAR VOCÊ

Há pouco tempo atrás, em um dos grupos de whatsapp dos quais ainda participo, eu presenciei uma sequência de mensagens mais ou menos assim:

_ Nossa, trabalhei igual uma condenada hoje
_ Idem
_ Eu também! A semana inteira, aliás
_ E eu, que cheguei em casa só agora?
_ Ah, e eu, que ainda estou trabalhando?

Você provavelmente já fez parte de muitos diálogos parecidos, e talvez até se identifique com alguma dessas mensagens agora mesmo. Não há mal nisso, principalmente em certas épocas da vida, onde o trabalho está mais puxado.

Mas o que eu quero com essa conversa é te propor que você pense em algumas questões básicas: será que você está se mantendo ocupada demais pelos motivos certos ou porque é o que esperam de você? Será que, inconscientemente, você está valorizando a sua falta de tempo livre? Será que você tem se preocupado mais do que o necessário com a forma como os outros te veem, e menos com a sua saúde mental e física?

REAVALIE O SEU DIA A DIA

Se você parar para refletir e entender que esse não é o seu caso, isso é ótimo. Mas, se você se pegar superestimando o fato de estar sempre ocupada – e, principalmente, se já faz um tempo que você vem vivendo essa vida louca -, considere fazer uma pausa. Não precisa começar com nada muito brusco, tipo trancar a faculdade. Apenas sente e avalie se as situações que você está vivendo estão realmente te levando para o caminho que você quer:

  • Você sabe dizer quais são seus objetivos com cada uma das atividades que você faz? Onde quer chegar no trabalho, na sua formação, na sua vida pessoal?
  • Seus compromissos estão te trazendo o retorno que você esperava? Você enxerga valor nas suas atividades? O suficiente para continuar fazendo cada uma delas?

Só faz sentido usar seu tempo com as coisas que tem a ver com a vida que você quer criar. Eu sei que parece papo de coach, mas é verdade. Se seu objetivo é A e você está indo pelo caminho B, não está investindo, mas sim perdendo tempo. É como se você quisesse poupar para comprar um carro, mas ficasse sempre gastando seu dinheiro com roupas que não usa: você nem aproveita as brusinhas, nem consegue comprar o carro. E, diferente de dinheiro, tempo é um recurso não dá para recuperar.

Se, depois de iniciar esse diagnóstico, você perceber que algo na sua rotina está fora daquilo que você esperava, aí sim comece a pensar em tirar isso do seu dia a dia. Algumas atividades poderão ser delegadas, algumas você poderá adaptar, algumas você simplesmente terá que parar de fazer… E eu sei que essas mudanças não são fáceis e nem acontecem da noite para o dia. Mas plantar a sementinha da mudança já é um grande primeiro passo.

UMA COISA DE CADA VEZ

Outro ponto que tem tudo a ver com uma rotina equilibrada (e com o que conversamos até agora) é foco. É claro que todos nós temos sonhos para alcançar e que, se a gente não correr atrás, eles não viram realidade. Seja uma formação, seja fazer uma viagem, seja criar uma empresa… Tudo exige atitude e dedicação. Mas será que a gente precisa fazer tudo isso ao mesmo tempo? Na minha opinião, não.

Um exemplo recente que me fez refletir sobre isso: minha sonhada faculdade de psicologia. Esse ano, novamente, eu pensei em aplicar para o concurso de bolsas de uma universidade aqui de Santos. Mas, conversando com o Felipe, ele me deu um ponto de vista que eu até então não tinha levado tanto em consideração: se estou criando um negócio do zero, será que daria para me dedicar o suficiente a isso e a uma faculdade, simultaneamente?

Será que as duas coisas sairiam bem feitas? Teriam atenção o suficiente? Pensei um pouco sobre isso e optei por uma delas. Não exatamente deixando a faculdade de lado, mas priorizando a empresa que estou tirando do papel, até que essa engrenagem rode bem sem tanta necessidade da minha presença. Nesse momento vou estar mais livre para usar meu tempo e energia para trabalhar em outro projeto.

A VIDA EM ESTAÇÕES

Um dos princípios nos quais eu baseio a minha rotina é viver em ciclos: saber que a cada “estação” uma área da vida vai exigir mais da minha atenção, até que eu atinja meus objetivos dentro dela. Escolher me dedicar totalmente a alguma coisa até conseguir ver meu avanço nela, e, aí sim, estar disponível para partir para outra. Entender que dar pequenos passos em direção à vários lugares ao mesmo tempo não me leva muito longe em nenhum deles.

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No livro Essencialismo, o autor expõe os motivos pelos quais devemos focar em menos coisas (e como podemos fazer isso)

Um dos livros que me ajudou a fortalecer essa linha de raciocínio foi o Essencialismo, do Greg McKeown, que basicamente explica como e por que simplificar a vida. Um dos insights que mais ficou na minha cabeça, e que eu gosto de compartilhar com as minhas alunas, está na ilustração aqui de cima.

Gosto dessa imagem porque ela deixa evidente algo que nem sempre fica óbvio no dia a dia: temos uma quantidade limitada de energia, e podemos escolher avançar um pouquinho em várias direções (e demorar mais para atingir nossas metas); ou avançar bastante em uma direção só, e alcançar nossos objetivos mais rapidamente.

Se para você é muito difícil pensar em abrir mão de alguma das atividades que faz atualmente, considere encarar as coisas de outra forma. Não pense no que está deixando para trás, mas sim em que você está avançando. Adotar essa estratégia vai te fazer chegar mais longe mais rápido, se você trabalhar do jeito certo.

PARA REFLETIR (UM POUCO MAIS)

Por último, quero que você pense nessa questão: será que mais tempo seria mesmo a solução? Talvez, se num passe de mágica, o seu dia tivesse 30 horas, você acabasse usando-as da mesma forma que usa as 24 que tem hoje: enchendo-as de compromissos, um atrás do outro.

Nunca se esqueça disso: mais importante do que desejar mais tempo para fazer mais coisas, é fazer as coisas certas. Para escrever esse post para você, eu tive que abrir mão de uma série de outras atividades. Provavelmente tenho algumas mensagens para responder (desabilitei as notificações); tenho duas aulas para preparar; e nesse momento tem louça na pia (eu trabalho em casa).

Acredite em mim, isso aqui não foi feito em alguns minutos. Meu processo de escrita – e de criação de conteúdo no geral – leva uma eternidade. Eu gosto de anotar meus tópicos, rascunhar, revisar, reescrever, ilustrar… Eu faço pesquisa, leio e estudo para trazer para você informação útil e transformadora – e isso toma muito do meu tempo. Esse post aqui levou alguns dias. 🙂

E estou compartilhando isso com você por um simples motivo: dizer “não” faz parte. Para escrever agora, eu tive que dizer não a todas as outras coisas que não estou fazendo nesse momento. E preciso estar ok com isso. Quando publicar o post, eu começo a me preocupar com o próximo item mais importante da lista.

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SE COBRE UM POUCO MENOS

No início, pode ser difícil pensar em abrir mão de alguma coisa. Eu entendo que nem todo mundo tem a facilidade de morar perto do trabalho ou de ter quem faça as tarefas de casa, por exemplo. E existem também as pessoas que simplesmente tem dificuldade de delegar. Querem assumir o controle das coisas, se certificar de que tudo esteja “certo”… Se você estiver incluída aqui, como eu disse, a mudança não precisa ser tão brusca. Comece por aceitar que pode mudar.

Não se preocupe em fazer tudo… Ninguém faz. Num mundo em que as possibilidades são quase infinitas – mais do que nunca a gente pode se transformar em quem a gente quiser – é preciso saber escolher para o que se dedicar. É como eu sempre digo: equilíbrio tem muito mais a ver com saber priorizar do que com atribuir o mesmo valor a tudo.

Você não come um bolo inteiro sozinha. Quando vai num restaurante, não pede todos os pratos do cardápio. Por que deveria tratar a sua rotina de maneira diferente? Se dispa da cobrança de ter que dar conta de tudo, principalmente de ter que dar conta de tudo sozinha. Entenda que será preciso dizer muito mais não do que sim para ter uma rotina mais tranquila. E confie no seu taco. 😉

QUER APRENDER MAIS?

Não acabamos por aqui! Ainda tenho muuito para te falar sobre produtividade e sobre o que você pode fazer para se sentir menos sobrecarregada. Não consigo te passar todo esse conteúdo por aqui, então resolvi montar um workshop com 3 aulas gratuitas, para a gente poder se aprofundar um pouco mais.

A primeira aula trata melhor do tema desse post: para quem pensa que o dia precisava ter 30h, quero conversar sobre como lidar com tudo no tempo da vida real. Lá eu trago algumas reflexões e, principalmente, alguns exercícios para já botar em prática durante o vídeo, e que podem te fazer mudar a forma como você enxerga os seus dias.

Na próxima aula eu falo sobre a guerra entre disciplina e procrastinação, e ensino algumas técnicas que uso no meu dia a dia para me manter mais ativa e motivada – mesmo quando não estou nem um pouco a fim. E na última, compartilho alguns ensinamentos sobre o tipo de planejamento que dá certo para mim, e que me ajuda a executar o que é preciso – e não só ficar no campo dos planos.

O workshop vai ser acompanhado de uma apostila com um resumo do conteúdo das aulas e os exercícios. Vai acontecer já já, entre os dias 31 de outubro e 04 de novembro, e, se você se interessar, pode fazer sua inscrição aqui. É tudo gratuito. <3 Ao final das aulas, será aberta uma nova turma do #MovimentoBeehave, o meu treinamento de produtividade mais completo.

Agora me conta se esse post te ajudou de alguma forma, e compartilha com uma amiga que vive na correria para lá e para cá! Vamos contribuir para que a vida de quem a gente gosta seja um pouco mais leve 💛 Te vejo no workshop!

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